Quem vai sentir primeiro os efeitos da Reforma Tributária?

A Reforma Tributária brasileira, embora planejada para uma transição gradual até 2033, não é um evento distante que as empresas podem ignorar agora. Na verdade, os primeiros sinais de mudança já começam a aparecer nos bastidores corporativos, e alguns setores específicos estarão na linha de frente dos impactos práticos. Compreender quem sentirá os primeiros efeitos é essencial para que sua empresa não seja pega de surpresa e possa planejar suas finanças com antecedência.

Os anos de 2026 e 2027 serão os marcos iniciais dessa jornada. Em 2026, terá início a fase de testes com a cobrança simbólica da CBS e do IBS, permitindo que empresas adaptem seus sistemas e processos. Já em 2027, começam as mudanças estruturais definitivas, com a substituição efetiva do PIS e da Cofins pela CBS.

Abaixo, detalhamos os perfis que sentirão essas mudanças primeiro e como cada um poderá ser impactado.

O setor de serviços no Lucro Presumido: o impacto em 2027

Se existe um grupo que tende a sentir os efeitos da Reforma de forma mais imediata, é o das empresas prestadoras de serviços tributadas pelo Lucro Presumido.

Atualmente, essas empresas pagam uma alíquota combinada de 3,65% de PIS e Cofins no regime cumulativo, sem direito a créditos.

A partir de 2027, com a substituição desses tributos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), o modelo passa a ser não cumulativo, permitindo a geração de créditos. A alíquota estimada pelo governo gira em torno de 9%, ainda sujeita à regulamentação definitiva.

Como muitas empresas de serviços possuem poucos insumos que geram crédito (já que seu principal custo costuma ser a folha de pagamento, que não gera crédito), pode haver aumento da carga tributária efetiva, dependendo da estrutura de cada negócio.

Por isso, o planejamento para 2027 deve começar desde já, com revisão de margens, contratos e até mesmo do regime tributário.

Indústria e Comércio: simplificação e crédito financeiro

Para a indústria e o comércio, especialmente aqueles já enquadrados no Lucro Real, o impacto pode representar maior simplificação operacional.

A CBS substituirá o atual PIS e Cofins não cumulativos, enquanto o IBS substituirá ICMS e ISS, formando o novo modelo de IVA dual.

Uma das principais mudanças será a adoção do chamado crédito financeiro amplo. Na prática, se a empresa pagar imposto na aquisição de bens ou serviços relacionados à atividade, poderá gerar crédito para compensação na etapa seguinte. Isso tende a reduzir disputas sobre o conceito de “insumo” e trazer maior segurança jurídica.

O consumidor e o Imposto Seletivo

O consumidor final também poderá sentir os efeitos já no início da transição, especialmente por meio do Imposto Seletivo (IS).

O chamado “imposto do pecado” incidirá sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como bebidas alcoólicas, cigarros e outros itens definidos em lei complementar. A expectativa é que haja aumento de preço nesses produtos, a partir do início da sua aplicação.

Tecnologia e adaptação: o primeiro impacto real

Independentemente do setor, o primeiro impacto concreto será tecnológico.

A partir de 2026, as empresas deverão emitir documentos fiscais já adaptados ao novo modelo, destacando as informações relativas à CBS e ao IBS na fase de testes. Isso exigirá atualização dos sistemas de gestão (ERP), parametrizações fiscais e treinamento das equipes.

Os primeiros a sentir os efeitos da Reforma não serão apenas aqueles que pagarão mais ou menos impostos, mas principalmente aqueles que não estiverem preparados tecnologicamente para cumprir as novas exigências.

A importância da antecipação

A Reforma Tributária representa uma mudança estrutural no sistema fiscal brasileiro. Embora a transição seja gradual, as decisões estratégicas precisam começar agora.

Na MB Contabilidade, acompanhamos de perto cada etapa da regulamentação e realizamos simulações de cenários para 2027, auxiliando sua empresa a avaliar possíveis mudanças de regime tributário, ajustes de precificação e reorganização financeira.

Antecipação será o diferencial entre reagir às mudanças ou utilizá-las como oportunidade de crescimento.

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